Sociointeracionismo e o papel do guia-intérprete
- Louise Mariane
- 15 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de jan.

É possível associar o sociointeracionismo o papel do guia-intérprete de surdocegos?
Há pouco tempo, concluí a leitura de um livro que tinha como tema o sociointeracionismo e a surdez. A leitura foi bastante densa e, portanto, de difícil compreensão; procurando absorver alguns de seus capítulos mais consistentes, decidi escrever resumidamente sobre o sociointeracionismo associado à guia-interpretação na surdocegueira. A fim de analisar meu próprio aprendizado acerca deste conceito e dos meus estudos sobre a guia-interpretação, escrevi um pequeno texto sobre o papel do guia-intérprete para além da tradução e mobilidade do sujeito com surdocegueira.
O comprometimento visual e auditivo afeta o surdocego interagir naturalmente com o meio externo pois, o que vê, ouve ou toca está limitado ao que se pode alcançar e isto, influencia na aquisição do conhecimento ínsito por meios empíricos. Entretanto, estas limitações não são indicativos permanentes de que o sujeito surdocego não amplie sua compreensão de mundo.
Observando a perspectiva sociointeracionista, o guia-intérprete pode ser considerado um elemento fundamental para a construção de significação e organização do pensamento da pessoa surdocega. Segundo Vygotsky, o conhecimento interiorizado é possível devido ao conhecimento adquirido por meio das relações disponíveis no ambiente, no entanto, na condição de surdocego, é preciso que este meio forneça subsídios para o fenômeno; desta forma, o profissional guia-intérprete, mediante seus conhecimentos linguísticos, descritivos e de mobilidade, torna possível ao surdocego o acesso à informação que, em decorrência, este vai produzir análise, construir sínteses e outras operações mentais, devolvendo para a sociedade suas próprias marcas individuais.
Para exemplificar, pensemos numa pessoa surdocega presente numa sala de aula. Durante a explicação, o professor conta uma piada e todos riem. Sem o guia-intérprete para descrever esta informação, o surdocego ficaria isolado diante daquele contexto. Agora, com a informação mediada pelo guia-intérprete - que descreve a piada e a risada das pessoas na sala -, o surdocego passa a compreender e se integrar ao momento.
Aos interessados, o livro se chama A Criança Surda: linguagem e cognição numa perspectiva sociointeracionista.



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