Tem um surdocego na plateia
- Louise Mariane
- 18 de jan.
- 2 min de leitura

Imagine que você é um palestrante e descobre que terá pessoas surdocegas na plateia. Nesta situação, o que poderia ser feito para contemplar a inclusão destas pessoas?
Sabemos que a surdocegueira é uma deficiência única que combina a perda, em diferentes espectros, de visão e audição. Ou seja, pode ter cegueira e baixa audição; surdez profunda e baixa visão; baixa visão e baixa audição; ou ter cegueira e surdez profundas. Esta diversidade implica que devemos tratar cada indivíduo como único.
Neste contexto, é importante que o palestrante se reúna anteriormente à palestra com a equipe de guia-interpretação para colher o máximo de informação sobre as necessidades específicas deste público e repassar seu conteúdo para estes profissionais.
É importante que os profissionais da guia-interpretação estejam alinhados com o tema da palestra, para isso, deverá ser disponibilizado slides ou roteiros previamente (isto permite que a equipe estude o conteúdo). Repasse os vocabulários específicos de sua área com antecedência, pois a equipe poderá não estar familiarizada com alguns termos.
Durante a palestra, o modo de expressar-se oralmente deve ser considerado. Pessoas com surdocegueira necessitam de mais tempo para a compreensão das informações, visto que não estão acessando diretamente o conteúdo. Existe um tempo de processamento de informações entre o intérprete, sua tradução, a recepção do surdocego e sua compreensão do exposto. Portanto, é de suma importância falar pausadamente.
Quando pensamos em surdocegueira, devemos entender que não apenas o processo de comunicação linguística deve ser considerado, mas sim, a descrição de imagens. O palestrante necessita combinar que, ao mostrar gráficos ou fotos, precisa descrevê-las no ato da apresentação. Passar os slides ou mudar de assunto também deve ser informado.
A harmonia entre os profissionais da guia-interpretação e o palestrante deve estar equilibrada. É importante que ambos se comuniquem discretamente, informando sobre a cadência de fala do conferencista (se rápido de mais, deverá diminuir seu ritmo).
Por último, evitar movimentos constantes. Muitos surdocegos possuem baixa visão e fazem uso de seus resquícios visuais para fazer leitura labial. Movimentações em excesso podem atrapalhar aqueles que possuem visão tubular, ou seja não têm visão periférica.



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